sexta-feira, 4 de junho de 2010

A Mafalda fez parte da minha infância


O primeiro livro que meu marido, Ricardo, leu sozinho continha uma compilação das tiras de Mafalda, a inesquecível e contestadora menina criada pelo argentino Quino. Para mim, ela é uma amiga de Emília, de Lobato, pronta e ávida por fazer perguntas, mesmo que as respostas não venham a tempo. Afinal, o que estas crianças nos lembram sempre? Que não podemos parar de fazer perguntas!

Bem, não sei se era exatamente uma leitura para ele ler criança, lá nos seus 6, 7 anos. Mas que funcionou, funcionou. Explico: o que ficou nele foi a lembrança de ele e a mãe juntos e a conquista de ler sozinho pela primeira vez! É assim que Mafalda faz parte do desenvolvimento do Ricardo. Do desenvolvimento e de sua história.

E é ela, Mafalda, que está em nossa cabeceira. Ele e eu revezamos a releitura das tiras com excelentes sacadas, daquelas que me fazem parar e pensar e ficar nelas por vários minutos. E como são atuais, coincidência ou não, a WMFMartins Fontes está lançando outros dois livros de Quino, como Humanos Nascemos, com a mesma ironia e precisão na crítica à sociedade. E não é para isso que aprendemos as letras? Para ler melhor o mundo em que estamos?

Semana passada, em uma excelente conversa com a especialista Silvia Oberg, responsável pela indicação dos livros das bibliotecas municipais de São Paulo, nós também falamos de irreverência, de politicamente correto, do jeito de tratar a criança. Do jeito que a criança merece ser tratada por um texto ou ilustração. E, claro, falamos de Monteiro Lobato, que escancara ao leitor desde a primeira obra a vida como ela é. Fala de guerra, de compaixão, de solidariedade, de ciúmes, ao mesmo tempo em que fala de fantasia, de possibilidades. E é por este respeito à criança que vamos lembrar destes autores a vida toda.

Por Cristiane Rogerio - editora de Educação e Cultura da Crescer



Lembrei da velha e boa estante de televisão da sala da minha vó, dentro de duas portas que ficavam rente ao chão, me perdia por horas nas revistas em quadrinhos. Não sabia ler, mas inventava à minha maneira e não via a hora de voltar lá. A Mafalda fez parte desse mundinho e até hoje faz. Aí vai algumas das minhas tirinhas favoritas:





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Um comentário:

Anônimo disse...

eu não conhecia essa personagem mafalda. vou pesquisar e saber mais sobre a personagem. mais uma vez teu texto é brilhante!