domingo, 27 de março de 2011

Ninguém é substituível

Hoje, quero fazer um post especialmente para o nosso grande artista Zacarias de Os Trapalhões. Este mês fez 21 anos que ele não está mais entre nós. A sua risada característica, os dentes saltados e o seu desespero quando alguém roubava a sua peruca é insubstituível.




Ninguém é substituível  

Na sala de reunião de uma multinacional o diretor nervoso fala com sua equipe de administradores. Agita as mãos, mostra gráficos e, olhando nos olhos de cada um ameaça um ninguém é insubstituível. A frase parece ecoar nas paredes da sala de reunião em meio ao silêncio. Todos se entre olham, alguns abaixam a cabeça, mas ninguém ousa falar nada. De repente, um braço se levanta e o diretor se prepara para triturar o atrevido:

- Alguma pergunta?

- Tenho sim. E Beethoven?

- Como? - Encara o diretor confuso.

- O senhor disse que ninguém é insubstituível e quem substituiu Beethoven? Ouvi essa estória esses dias, contada por um profissional que conheço e achei muito pertinente falar sobre isso. Afinal, as empresas falam em descobrir e reter talentos, mas no fundo continuam achando que os profissionais são peças dentro da organização e, quando sai um, é só encontrar outro para por no lugar. Então, pergunto quem substituiu Beethoven? Tom Jobim? Ayrton Senna? Ghandi? Frank Sinatra? Garrincha? Santos Dumont? Monteiro Lobato? Elvis Presley? Os Beatles? Jorge Amado? Pelé? Paul Newman? Tiger Woods? Albert Einstein? Picasso? Zico? Todos esses talentos marcaram a história fazendo o que gostam e o que sabem fazer bem, ou seja, fizeram seu talento brilhar. E, portanto, mostraram que são sim insubstituíveis. Que cada ser humano tem sua contribuição a dar e seu talento direcionado para alguma coisa. Não estaria na hora dos líderes das organizações reverem seus conceitos e começarem a pensar em como desenvolver o talento da sua equipe, em focar no brilho de seus pontos fortes e não utilizar energia em reparar seus erros ou deficiências?

O rapaz tomou fôlego e prosseguiu:

- Acredito que ninguém se lembra e nem quer sabe que Beethoven era surdo, que Picasso era instável, Caymmi preguiçoso, Kennedy egocêntrico e Elvis paranóico. O que queremos é sentir o prazer produzido pelas sinfonias, obras de arte, discursos memoráveis e melodias inesquecíveis, resultado de seus talentos. Mas cabe aos líderes de uma organização mudar o olhar sobre a equipe e voltar seus esforços, em descobrir os pontos fortes de cada membro. Fazer brilhar o talento de cada um em prol do sucesso de seu projeto.

Divagando o assunto, o rapaz continuava:

- Se um gerente ou coordenador ainda está focado em melhorar as fraquezas de sua equipe, corre o risco de ser aquele tipo de técnico de futebol, que barraria o Garrincha por ter as pernas tortas, ou Albert Einstein por ter notas baixas na escola, ou ainda Beethoven por ser surdo. E na gestão dele o mundo teria perdido todos esses talentos.

Olhou a sua a volta e reparou que o Diretor, olhava para baixo pensativo. E voltou a dizer nesses termos:

- Seguindo este raciocínio, caso pudessem mudar o curso natural, os rios seriam retos não haveriam montanhas, nem lagoas, nem cavernas, nem homens e mulheres, nem sexo, nem chefes, nem subordinados. Apenas peças.

Nunca me esqueço de quando o Zacarias de Os Trapalhões que foi desta vida para uma melhor, ao iniciar o programa seguinte, o Dedé entrou em cena e falou mais ou menos assim: "Estamos todos muito tristes com a partida de nosso irmão Zacarias. Hoje, para substituí-lo, chamamos: ... Ninguém, pois nosso Zaca é insubstituível.” – concluiu, o rapaz e o silêncio foi total.

Depois desta grande lição, nunca esqueça que você é talento único e ninguém o substituirá. No mundo sempre existirá pessoas que te amarão pelo que você é e outras vão te odiar pelo mesmo motivo. Acostume-se.




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Um comentário:

Pr. Emerson disse...

Gostei parabens pela postagem e homenagem - devoltaaosanos80.blogspot.com